Falar sobre saúde mental é falar sobre acolhimento, prevenção e valorização da vida. Mas também é falar sobre as condições em que as pessoas vivem, convivem e trabalham.

Durante o Setembro Amarelo, somos convidados a ampliar o olhar sobre a saúde mental e a importância de cuidar das pessoas. É um período que reforça a necessidade de acolher, escutar, prevenir o sofrimento e fortalecer redes de apoio.

Mas cuidar da saúde mental não pode ser uma responsabilidade exclusivamente individual.

É preciso também olhar para os ambientes onde as pessoas passam grande parte de suas vidas: suas casas, suas comunidades e, especialmente, seus locais de trabalho.

Saúde mental também é uma questão de trabalho

O trabalho pode ser fonte de realização, pertencimento, reconhecimento e propósito. Mas, quando desenvolvido em condições inadequadas, também pode se tornar um espaço de sofrimento.

Sobrecarga de tarefas, pressão constante, falta de autonomia, ausência de reconhecimento, relações desrespeitosas, assédio, discriminação, conflitos, insegurança, falta de suporte e condições inadequadas de trabalho são situações que podem afetar o bem-estar e a saúde dos trabalhadores.

Por isso, falar em saúde mental no trabalho significa ir além de campanhas pontuais ou de orientações para que cada pessoa simplesmente “cuide de si”.

É necessário perguntar também: o ambiente em que essa pessoa trabalha está contribuindo para sua saúde ou para o seu adoecimento?

Essa reflexão é especialmente importante porque muitos fatores que produzem sofrimento não estão apenas dentro das pessoas. Eles podem estar relacionados à própria organização do trabalho e às relações estabelecidas no ambiente profissional.

A prevenção precisa fazer parte da rotina

A saúde mental não deve ser lembrada somente em setembro.

Cuidar significa construir, no cotidiano, relações baseadas no respeito, na escuta, na dignidade e na valorização das pessoas. Significa reconhecer sinais de sofrimento, combater situações de violência e assédio e criar condições para que trabalhadores possam exercer suas atividades com segurança e dignidade.

Nesse sentido, a prevenção precisa fazer parte das decisões e das práticas das instituições.

Não basta agir somente quando o sofrimento já se instalou. É fundamental identificar os fatores que podem produzi-lo e trabalhar para transformar essas condições.

O que muda com a NR-1?

Essa discussão ganhou ainda mais importância com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).

A nova redação do capítulo 1.5 da NR-1 passou a incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A atualização entrou em vigor em 26 de maio de 2026.

Na prática, isso reforça que os riscos relacionados à organização e às condições de trabalho precisam ser considerados dentro das ações de prevenção.

Entre os exemplos apresentados pelo Ministério do Trabalho e Emprego estão fatores como excesso de demandas ou sobrecarga de trabalho, assédio e falta de suporte ou apoio no trabalho.

A proposta é fortalecer uma cultura de prevenção, na qual a segurança e a saúde dos trabalhadores sejam consideradas de forma ampla, incluindo os aspectos físicos, ergonômicos e psicossociais.

O próprio Ministério do Trabalho e Emprego estabeleceu, em 2026, como tema da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT), a “Prevenção dos Riscos Psicossociais no Trabalho”, reforçando a relevância do assunto para a saúde e segurança dos trabalhadores.

Cuidar também é transformar

Quando falamos em valorização da vida, precisamos falar sobre acolher quem está sofrendo. Mas precisamos ir além.

Precisamos também olhar para aquilo que pode estar produzindo ou agravando esse sofrimento.

Isso significa combater o assédio e a violência no trabalho. Significa enfrentar a discriminação. Significa discutir sobrecarga, condições de trabalho, relações profissionais e falta de reconhecimento. Significa garantir espaços onde trabalhadoras e trabalhadores possam ser ouvidos e respeitados.

Cuidar é acolher.
Cuidar é prevenir.
Cuidar é escutar.
Cuidar também é transformar as condições que produzem sofrimento.

Por isso, neste Setembro Amarelo, o SINDALESC propõe uma reflexão que ultrapassa o mês de setembro:

Que ambiente estamos construindo para que as pessoas possam viver e trabalhar com dignidade?

Essa pergunta precisa estar presente não apenas nas campanhas, mas nas relações, nas decisões e nas políticas que impactam a vida das trabalhadoras e dos trabalhadores.

Porque promover saúde mental também significa defender ambientes de trabalho mais humanos, seguros, respeitosos e saudáveis.

A saúde das trabalhadoras e dos trabalhadores também é uma pauta sindical

Para o SINDALESC, defender o serviço público significa também defender as pessoas que fazem o serviço público acontecer.

A valorização das trabalhadoras e dos trabalhadores passa por salários e direitos, mas também por condições dignas de trabalho, respeito, segurança, reconhecimento, prevenção e saúde.

A defesa da saúde mental precisa ser permanente e coletiva.

Neste Setembro Amarelo, o convite é para que possamos ampliar essa conversa, fortalecer a escuta e assumir a responsabilidade de construir ambientes onde as pessoas não apenas trabalhem, mas possam trabalhar com dignidade, respeito e saúde.

Valorizar a vida é acolher quem sofre.
Mas também é enfrentar aquilo que produz sofrimento.

SINDALESC — em defesa do serviço público e da saúde das trabalhadoras e dos trabalhadores.

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